Transformar um desafio real da indústria em uma solução inovadora e com potencial de aplicação prática levou três estudantes de Engenharia Automotiva do UniSenai PR ao 1º lugar no Hackathon SAE Mobilidade. A equipe Bandeiras, formada por Daniel Barbosa Turkot, Nicolas Caldartt Schmidt e Adrian Luiz Zimermann Ferreira, sob orientação do professor Paulo Andrade Leal, desenvolveu uma proposta baseada no uso de hidrogênio aplicado à mobilidade, com foco na melhoria do desempenho de empilhadeiras.

Promovido pela SAE, o hackathon desafia estudantes a solucionar problemas apresentados por empresas, aproximando a formação acadêmica das demandas do setor produtivo. Para a equipe do UniSenai PR, o desafio foi proposto pela Protium Dynamics e envolveu a busca por alternativas mais eficientes para a operação de empilhadeiras.

“A partir do desafio proposto, nós precisamos entender o problema, buscar alternativas e desenvolver uma solução que pudesse gerar resultados concretos para a empresa”, explica Daniel Barbosa Turkot.
 

Hidrogênio como alternativa para aumentar eficiência

A partir da análise do desafio, os estudantes desenvolveram uma solução voltada à aplicação do hidrogênio nas empilhadeiras, com foco em três aspectos: aumento da eficiência, redução da indisponibilidade dos equipamentos e diminuição dos custos operacionais.

Os resultados obtidos durante o desenvolvimento demonstraram o potencial da proposta. A solução apresentou aumento de 37% na eficiência das empilhadeiras e redução de até 89% na indisponibilidade dos equipamentos. O custo por tonelada movimentada também caiu de R$ 0,35 para R$ 0,20.

“Também conseguimos reduzir o custo por tonelada de 35 para 20 centavos. Foram resultados muito marcantes e que demonstram o potencial da nossa solução para diferentes empresas”, destaca Daniel.

Com o fim da competição, o projeto entra em uma nova etapa. A equipe busca avançar para um projeto-piloto junto a uma empresa interessada em testar a solução em uma aplicação prática. A intenção é ampliar o desenvolvimento da proposta e avaliar sua utilização em condições reais de operação.
“O próximo passo é dar continuidade ao projeto junto à Protium, empresa que está nos auxiliando como parceira e empresa-âncora. A ideia é seguir desenvolvendo a solução e avançar para as próximas etapas do projeto”, afirma Adrian Luiz Zimermann Ferreira.

Da sala de aula para os desafios da indústria

Mais do que a aplicação dos conhecimentos técnicos, a participação no hackathon proporcionou aos estudantes uma experiência de imersão no ambiente profissional. Durante a competição, eles tiveram contato com empresas, mentores e especialistas do setor de mobilidade, além de precisarem conciliar o desenvolvimento da solução com as diferentes rotinas dos integrantes da equipe.

Para Nicolas Caldartt Schmidt, essa aproximação foi um dos principais aprendizados da experiência.“Além do título, foram muitos os aprendizados que levamos dessa experiência. Tivemos contato com empresas, mentores e profissionais da indústria, e aprendemos muito com essas conversas e trocas. É uma experiência que contribuiu muito para a nossa formação.”

A rotina da competição também exigiu organização e trabalho em equipe. Segundo Adrian, conciliar horários, reuniões, desenvolvimento do projeto e mentorias foi um dos desafios enfrentados pelo grupo. “Eu e meus colegas tínhamos rotinas diferentes, então, em alguns momentos, foi difícil encontrar horários para as reuniões, organizar o projeto e participar das mentorias com os profissionais da SAE. Mas conseguimos superar essas dificuldades com organização, diálogo e, principalmente, trabalho em equipe”, conta.

Para ele, a experiência contribuiu ainda para o desenvolvimento de competências que serão importantes na carreira. “Aprendemos a trabalhar melhor em equipe, a lidar com diferentes situações e a buscar soluções mesmo diante das dificuldades”, completa.

Conquista evidencia formação prática

Para o professor orientador Paulo Andrade Leal, o resultado representa o reconhecimento de um projeto desenvolvido a partir da combinação entre conhecimento técnico, pesquisa e dedicação dos estudantes.

“Esse hackathon promovido pela SAE é de suma importância, porque a entidade é uma referência em conhecimento técnico na área de mobilidade. Essa conquista vem consolidar o trabalho que o UniSenai vem realizando para aprimorar a formação dos nossos alunos de Engenharia Automotiva. É como um prêmio, uma coroação de todo esse trabalho que já vem sendo desenvolvido”, avalia.

O professor destaca que, além do domínio técnico, a competição exigiu dos estudantes competências como comunicação, apresentação e capacidade de defender ideias — habilidades fundamentais para a atuação profissional.“Hoje, o profissional de Engenharia precisa ter uma sólida formação técnica, que é inerente à nossa área. Mas o que ficou muito evidente durante a competição foram as chamadas soft skills, como a capacidade de comunicação, de apresentação e de expor suas ideias com clareza”, afirma.

Outro diferencial, segundo Paulo, foi o comprometimento da equipe. Mesmo estando no ciclo inicial (3º período) da graduação, os estudantes conseguiram mobilizar os conhecimentos adquiridos no curso, buscar novas informações e aplicá-las na resolução de um problema complexo.
“Um dos fatores decisivos para a conquista do primeiro lugar foi, sem dúvida, a dedicação. Os alunos se empenharam muito, estudaram, se dedicaram e souberam aproveitar os fundamentos e conhecimentos que adquiriram desde o início do curso. Eles se propuseram a aprender, e o aprender a aprender é fundamental para um engenheiro”, destaca.

Para Nicolas, a experiência também deixa uma mensagem para outros estudantes que têm interesse em participar de competições e projetos ligados à indústria.“Vá, mesmo com medo. A gente começou com medo, sem saber se seria aprovado ou se conseguiria chegar até o final, mas fomos lá, demos o nosso melhor e conseguimos conquistar o título. Então, vale muito a pena se permitir viver essa experiência.”
Mais do que o troféu, o primeiro lugar no Hackathon SAE Mobilidade evidencia a capacidade dos estudantes de transformar conhecimento em solução para um desafio real, trabalhando com metas, resultados e demandas do setor produtivo.

Para Paulo, acompanhar esse processo também representa uma das principais recompensas da docência. “Para mim, como professor, essa conquista representa uma realização. Significa que a nossa missão está atingindo o objetivo. Ser professor não é apenas uma profissão; é um sacerdócio. É muito dignificante saber que podemos fazer a diferença na vida desses estudantes”, conclui.
 

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