Semana Fashion Revolution mobiliza UniSenai PR e reforça caminhos para uma moda mais justa e sustentável
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Semana Fashion Revolution mobiliza UniSenai PR e reforça caminhos para uma moda mais justa e sustentável
Evento conectou estudantes, profissionais e sociedade em torno da moda circular, do upcycling e de práticas mais responsáveis no setor
A Semana Fashion Revolution – Moda UniSenai transformou o campus de Curitiba em um espaço de troca, reflexão e prática sobre o futuro da indústria da moda. Realizado ao longo da semana passada, entre os dias 22, 23 e 24 de abril, o evento integrou a mobilização global do movimento, que promoveu ações em todo o país voltadas à justiça social e climática.
Inspirada pelo tema “Fortalecer ecossistemas da moda”, a programação reuniu estudantes, docentes, profissionais e o público em geral para discutir e vivenciar soluções mais sustentáveis para o setor. A proposta foi estimular conexões e promover mudanças estruturais na forma como a moda é produzida e consumida.
Um dos destaques foi o showroom “Moda UniSenai – Edição Moda Circular”, que apresentou peças do acervo de professores e alunos em um modelo de consumo mais consciente, com itens a preços acessíveis. A iniciativa evidenciou, na prática, como o reaproveitamento pode gerar valor e reduzir impactos ambientais. “Ver peças sendo ressignificadas e voltando para o ciclo de uso faz a gente repensar o consumo. É uma experiência que vai além da estética, tem propósito”, comentou a visitante Amanda.
A programação prática ganhou força com oficinas e workshops. Na oficina de upcycling de camisetas, conduzida pela designer de moda Virgínia Lane, os participantes foram convidados a transformar peças antigas em novos produtos, explorando criatividade e consciência ambiental. “O upcycling mostra que a gente não precisa criar do zero para inovar. É possível transformar o que já existe e, ao mesmo tempo, reduzir desperdícios”, destacou uma das participantes.
Moda com propósito
Marianne Dias, aluna do curso de Moda do UniSenai PR,contou que conheceu a Semana Fashion Revolution pelas redes sociais da instituição e se interessou pela proposta. “Eu já me encantava pelo upcycling desde o início do curso, mas a oficina ampliou muito minha visão. Percebi que dá para aplicar a técnica em diferentes tipos de peças, desde as mais básicas até produções mais elaboradas”, afirmou. Durante a atividade, ela levou camisetas manchadas que estavam sem uso e conseguiu ressignificá-las. “O resultado foi tão positivo que as peças que eram usadas só em casa ou na academia agora vão compor outros looks”, disse. Para ela, criar moda com propósito está diretamente ligado à responsabilidade ambiental. “A indústria ainda gera muito desperdício, então reaproveitar materiais e prolongar o ciclo de vida das peças é essencial.”
A participante Gisele Mello também destacou o impacto da experiência. “Eu fiquei sabendo da oficina por um grupo de WhatsApp do curso. Eu amo costurar e também acho muito importante essa preocupação com o resíduo têxtil. Às vezes a gente tem uma peça que já não usa mais, então achei interessante vir testar e ver o que podia surgir”, relatou. Para ela, moda com propósito é ressignificar. “É dar uma cara nova para algo que poderia ir para o lixo. A gente consegue transformar e diminuir o impacto ambiental.” Durante a atividade, Gisele explorou uma técnica nova. “Eu tirei uma estampa que já não me representava e criei outra composição com sobreposição de tecidos. Ainda quero finalizar, mas já gostei muito do resultado”, contou.
Democratização do acesso ao conhecimento
Responsável pela oficina, Virgínia Lane ressaltou o caráter acessível e transformador da prática. “A proposta foi trabalhar com técnicas que eu já utilizo na minha marca, criando estampas a partir do próprio tecido. É sobre reaproveitar materiais que já existem e elevar o valor das peças, tanto estético quanto monetário”, explicou. Segundo ela, a simplicidade da técnica facilita a replicação. “É uma oficina simples, com materiais acessíveis, mas que gera peças únicas, com a identidade de cada participante.”
A designer também destacou a importância de iniciativas como essa dentro do ambiente educacional. “Quando a faculdade abre esse espaço, especialmente de forma gratuita, ela democratiza o acesso ao conhecimento. Muitas pessoas ainda não conhecem nem o termo upcycling, então esses eventos ajudam a disseminar esse conceito e aproximar mais gente da sustentabilidade”, afirmou. Para ela, a diversidade de participantes também enriquece a experiência. “A troca de vivências torna tudo mais criativo. Cada pessoa traz sua realidade e isso se transforma em novas ideias.”
O professor Jonas Eduardo Rocha reforçou o papel do movimento Fashion Revolution no contexto global. “O movimento surgiu para provocar uma reflexão sobre todo o processo produtivo da moda e a responsabilidade dos profissionais, especialmente porque a indústria têxtil é uma das mais poluentes. São ações que acontecem no mundo todo para fomentar esse debate”, explicou.
Na visão dele, o impacto na formação dos alunos é direto. “Quem está se formando em moda precisa entender que não basta criar produtos esteticamente bons. É fundamental incorporar a sustentabilidade como parte do processo. Esses eventos ampliam essa consciência e mostram a urgência de repensar práticas na indústria.”
O docente também destacou a necessidade de integração entre diferentes setores. “Para construir um sistema de moda mais sustentável, é preciso conexão entre academia, indústria e poder público. Só com essa atuação conjunta conseguimos reduzir, de fato, os impactos da cadeia têxtil e avançar para um modelo mais responsável.”
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