A sustentabilidade está deixando de ser uma agenda paralela nas empresas para influenciar decisões sobre investimentos, processos e competitividade. O movimento, porém, ainda esbarra em uma questão prática: como transformar diretrizes ambientais, sociais e de governança (ESG) em ações capazes de produzir resultados verificáveis para os negócios?

O Panorama Sustentabilidade 2026, realizado pela Amcham Brasil em parceria com a Humanizadas, mostra que o tema ganhou espaço no planejamento corporativo, mas sua aplicação ainda apresenta lacunas. Embora 87% das empresas participantes afirmem atuar em sustentabilidade, apenas 34% conseguem mensurar de maneira estruturada o retorno financeiro dessas iniciativas.

O estudo ouviu 587 executivos, sendo 84% em cargos de decisão, de organizações que somam mais de 666 mil colaboradores e R$ 671 bilhões em faturamento anual. Os resultados revelam uma mudança no posicionamento das empresas: a sustentabilidade passa a ser tratada como parte da gestão, mas ainda precisa avançar na definição de prioridades, no acompanhamento de indicadores e na comprovação de resultados.

Eficiência e inovação estão entre os ganhos esperados

Para além das obrigações ambientais e sociais, a agenda ESG pode contribuir para melhorar processos, reduzir desperdícios e abrir novas frentes de negócio. Essa percepção aparece nos resultados da pesquisa: 65% dos executivos associam a sustentabilidade à melhoria da eficiência operacional, enquanto 60% identificam potencial de redução de custos.

As oportunidades também alcançam a inovação e o desenvolvimento de mercado. Parcerias estratégicas são mencionadas por 71% dos participantes, seguidas por eficiência e redução de custos (69%), inovação em modelos de negócio e investimentos em tecnologia (65% cada) e criação de novos produtos e serviços (63%).

Esses resultados mostram que a sustentabilidade pode estar diretamente ligada à competitividade. Uma estratégia de economia circular, por exemplo, pode reduzir perdas de matéria-prima e estimular o reaproveitamento de resíduos. Já a adoção de critérios socioambientais na cadeia de fornecedores pode contribuir para prevenir riscos e tornar as operações mais eficientes.

Para aproveitar esse potencial, entretanto, as empresas precisam identificar quais temas são relevantes para sua atividade, estabelecer metas e acompanhar os efeitos das medidas adotadas. Sem indicadores consistentes, torna-se mais difícil avaliar o desempenho das iniciativas e demonstrar sua contribuição para os resultados corporativos.

Gestão ainda tem lacunas

A dificuldade de transformar a agenda ESG em resultados mensuráveis aparece em diferentes práticas de gestão. Segundo o levantamento, 73% das organizações não possuem ou não atualizam sua matriz de materialidade, que orienta a identificação dos temas mais relevantes para a empresa e seus públicos de interesse. Outros 68% não publicam relatórios de sustentabilidade e 61% não realizam benchmarking.

O monitoramento de riscos e oportunidades também é limitado: somente 31% das empresas acompanham riscos relacionados à sustentabilidade, enquanto 28% monitoram oportunidades nessa área.

Na dimensão ambiental, o estudo aponta que 29% das organizações afirmam reduzir ou compensar emissões de gases de efeito estufa. A biodiversidade, por sua vez, aparece como tema prioritário de materialidade para apenas 8% dos participantes.

Outro fator que pressiona as organizações é o ambiente regulatório. Embora 57% já integrem regulamentações de sustentabilidade à estratégia, aos investimentos ou à governança, somente 26% se consideram totalmente preparadas para esse cenário.

A comprovação do retorno financeiro é o principal obstáculo à evolução da agenda, segundo 44% dos executivos. Também são citados o acesso a capital (38%), a integração da sustentabilidade à estratégia (36%) e o engajamento da liderança (35%).

Conhecimento técnico precisa estar conectado ao negócio

Os desafios identificados pela pesquisa reforçam a necessidade de profissionais capazes de atuar além da elaboração de políticas e relatórios. A implementação da sustentabilidade exige conhecimento para interpretar regulamentações, avaliar riscos, definir indicadores, mobilizar diferentes áreas e desenvolver projetos alinhados aos objetivos da organização.

Essa combinação de competências é relevante para profissionais de sustentabilidade,mas também para gestores e especialistas de áreas como planejamento estratégico, compliance, inovação, operações e cadeia de suprimentos.

É nesse contexto que o UniSenai PR oferece a pós-graduação em Sustentabilidade e ESG Corporativo, destinada a profissionais com diploma de ensino superior que desejam desenvolver conhecimentos para atuar na área ou incorporar critérios ESG à sua atividade.

A formação contempla a relação entre os pilares ambiental, social e de governança no ambiente corporativo, a elaboração e implementação de políticas e indicadores, a produção de relatórios de sustentabilidade e a gestão de riscos socioambientais e de governança. Também aborda economia circular, eficiência de recursos, liderança e comunicação com públicos de interesse.

A proposta inclui o desenvolvimento de projetos aplicados com potencial de gerar impacto mensurável em empresas industriais, organizações de serviços e órgãos públicos. Dessa forma, busca aproximar o conhecimento técnico das demandas concretas das organizações e contribuir para que a sustentabilidade seja incorporada aos processos de decisão.

Clique aqui e garanta sua inscrição na pós-graduação em Sustentabilidade e ESG Corporativo.
 

Consulte aqui o cadastro da Instituição no Sistema e-MEC

Clique no qr-code para acessar.