Imersão no MIT mostra por que 95% das empresas falham ao aplicar IA e como é possível mudar esse cenário
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Imersão no MIT mostra por que 95% das empresas falham ao aplicar IA e como é possível mudar esse cenário
Imersão no MIT mostra por que 95% das empresas falham ao aplicar IA e como é possível mudar esse cenário
A maior parte das empresas ainda não consegue transformar inteligência artificial em resultado concreto, mas um grupo de executivos brasileiros decidiu encarar esse desafio na prática. Entre os dias 28 de abril e 1º de maio, líderes industriais participaram de uma imersão no Massachusetts Institute of Technology (MIT), em Boston, promovida pelo UniSenai Business Global, com um objetivo claro: sair do discurso e entender como aplicar IA de forma real nas empresas.
O contexto não poderia ser mais desafiador. Um estudo do próprio MIT aponta que 95% dos projetos de Inteligência Artificial Generativa não chegam à fase de produção, evidenciando que o problema não está na tecnologia, mas na capacidade das lideranças de transformar inovação em valor de negócio. É justamente essa lacuna que a imersão buscou enfrentar e, segundo os participantes, com impacto direto na forma de pensar e conduzir suas organizações.
Ecossistema que transforma conhecimento em resultado
Para a reitora do UniSenai PR, Fabiane Franciscone, a experiência vai além do aprendizado técnico e se posiciona como um acelerador estratégico.
“A imersão funciona como um grande acelerador, ampliando nossos conhecimentos sobre ambientes de cooperação que geram inovação, conectando pesquisa aplicada como diferencial competitivo na indústria”, afirma.
Segundo ela, um dos principais diferenciais observados no ecossistema de Boston é a integração entre cinco pilares fundamentais: universidades, startups, capital de risco, grandes empresas e governo. “A imersão permitiu observar como se conectam diferentes setores da sociedade para alcançar alta eficiência na geração de inovação”, completa.
Mais do que conteúdo teórico, a vivência direta nesse ambiente foi determinante para redefinir a forma como os executivos enxergam o papel da inteligência artificial. “Eles experimentaram, na prática, um ecossistema que conecta pesquisa à aplicação com foco em soluções concretas. Isso contribui especialmente para que os CEOs compreendam melhor as oportunidades e os riscos, e tomem decisões mais assertivas sobre onde, como e quanto investir”, afirma Fabiane.
A programação incluiu encontros com pesquisadores do MIT e visitas a empresas e ambientes de inovação — entre eles, a Tulip, onde os participantes puderam observar aplicações concretas de IA em diferentes contextos industriais. A experiência prática reforçou a ideia de que a transformação digital não acontece apenas em grandes projetos, mas também na melhoria contínua de processos.
Da teoria à prática: o que muda dentro das empresas
Esse ponto ficou evidente para o vice-presidente da Fiasul Indústria de Fios, Franco Manfroi, que voltou com uma visão mais pragmática sobre o tema.“Ficou muito claro que a aplicação mais relevante da Inteligência Artificial não está em projetos sofisticados, mas em resolver problemas do dia a dia industrial”, afirma.
Segundo ele, as oportunidades estão diretamente ligadas à operação: melhoria de produtividade, redução de perdas, organização de dados e apoio à tomada de decisão no chão de fábrica. “Antes de perguntar qual IA usar, precisamos perguntar qual problema queremos resolver. Essa foi uma das mensagens mais fortes da imersão”, destaca.
A experiência também reforçou que inovação não precisa, necessariamente, ser disruptiva. “Muitas vezes, melhorias de 5% ou 10% já geram impactos enormes na indústria”, diz Manfroi, ao defender uma abordagem mais incremental e conectada à realidade das empresas.
Para Eloisa Helena Orlandi, CEO da Carob House, o principal impacto foi na forma de enxergar o próprio negócio e o papel da liderança diante da tecnologia.
“Eu tenho que ser ainda mais inteligente do que a IA. Se eu não souber comandar, analisar e entender onde quero chegar, corro o risco de usar uma ferramenta extremamente poderosa de forma equivocada”, afirma.
Segundo ela, a vivência prática no ambiente do MIT trouxe clareza sobre oportunidades ainda não exploradas dentro da empresa. “A IA é a ordem do dia para otimização de processos, ganhos de escala e competitividade”, resume.
Eloisa também chama atenção para um ponto estratégico observado durante a imersão: a presença de sucessores de empresas familiares no grupo. “Isso mostra o interesse real em perpetuar os negócios de forma evoluída, com governança e visão de futuro”, avalia.
Liderança como fator decisivo na adoção da IA
A conexão entre aprendizado e aplicação prática é, justamente, o que diferencia iniciativas como essa — especialmente em um cenário em que muitas empresas ainda enfrentam dificuldades para avançar além de projetos piloto. O estudo do MIT aponta que a falta de estratégia, governança e maturidade organizacional é o principal entrave para transformar IA em resultado.
Nesse sentido, a imersão contribui para reduzir esse gap ao aproximar executivos de um ambiente onde a tecnologia já está integrada aos processos e à tomada de decisão.
“A cada imersão, ampliamos não apenas o conhecimento, mas também o networking e a capacidade de transferência desse aprendizado para alunos e para a indústria”, afirma Fabiane Franciscone.
Segundo ela, esse movimento também impacta diretamente a educação executiva, tornando os programas mais alinhados às demandas reais do mercado.
A expectativa é que os aprendizados adquiridos em Boston se traduzam em avanços concretos nas empresas brasileiras, não apenas na adoção de novas tecnologias, mas na forma de liderar, tomar decisões e estruturar processos.
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