Escolher uma profissão nem sempre começa com uma resposta. Muitas vezes, começa com uma pergunta: “E se eu gostar disso?”. Foi justamente para ajudar os jovens a encontrar respostas que a 6ª edição da Feira de Profissões do UniSenai PR abriu as portas do Campus da Indústria, em Curitiba, nos dias 7 e 8 de outubro.

Ao longo da programação, os visitantes puderam sair da posição de espectadores e experimentar um pouco do que significa estudar em uma instituição conectada à indústria. Batalhas de robótica, desafios com ferramentas, atividades de mecânica, demonstrações com braço robótico, apresentação do funcionamento de uma linha de produção e experiências ligadas à tecnologia fizeram parte da programação. Na área de Design de Moda, o conhecimento também ganhou forma e movimento com um desfile produzido pelos estudantes do curso.

Para quem ainda está tentando descobrir qual caminho seguir depois do ensino médio, a variedade de experiências ajudou a transformar profissões que muitas vezes parecem abstratas em possibilidades concretas.

“Eu vim para conhecer os cursos e ver se encontrava alguma área que realmente me interessasse. O que mais chamou minha atenção foi Moda. Também conheci a área de desenvolvimento de jogos, que achei muito legal. Entre as opções que conheci, Moda foi a que eu mais gostei. Inclusive, já coloquei meu nome na lista de interesse e agora estou pensando na possibilidade de prestar o vestibular”, contou Yasmin Vitória dos Santos, aluna do Colégio Manoel Borges.

Descobrir antes de escolher

A proposta de colocar o estudante em contato com diferentes áreas é especialmente importante em uma fase em que a escolha profissional pode parecer definitiva, mas ainda está em construção. Para Marlon Barcelos de Azevedo, coordenador do curso técnico de Administração do Colégio Antônio Lacerda Braga, levar os alunos para conhecer o ambiente acadêmico e profissional amplia a visão sobre o futuro.

A escola participou da feira com cerca de oito turmas. “Participar de um evento como este permite conhecer os cursos de graduação que poderão escolher após concluir o ensino médio, além de descobrir oportunidades que podem abrir portas no mercado de trabalho. O contato com a teoria e a prática, com os professores e com outros estudantes é fundamental para ampliar os conhecimentos e ajudar os jovens a fazer uma escolha mais consciente sobre a profissão que desejam seguir”, destacou.

A experiência também foi percebida pelos próprios estudantes visitantes.Gabriel Bombonato de Souza, do Colégio Estadual Amintas de Barros, conta que algumas das atividades chamaram sua atenção justamente por apresentarem de forma concreta aquilo que os cursos desenvolvem.

“O que mais chamou minha atenção foi o robô que estava circulando pela feira, sendo controlado remotamente. Também gostei de conhecer o espaço de Engenharia de Software. Acho que um evento como esse é importante porque ajuda quem ainda não sabe exatamente o que quer fazer no futuro. A pessoa pode vir, conhecer os cursos, ver as atividades na prática e descobrir quais áreas têm mais a ver com os seus interesses”, relatou.

Quando o aluno vira parte da experiência

Se para quem visita a feira o momento é de descoberta, para quem já estuda no UniSenai PR a experiência é também uma oportunidade de compartilhar o caminho que está sendo construído.

Gustavo Britto Triaquim, aluno do quarto período de Engenharia de Software do campus de São José dos Pinhais, participou do evento auxiliando no estande de Análise e Desenvolvimento de Sistemas. Ao lado dele estava um robô seguidor de linha desenvolvido pela equipe de robótica da instituição, da qual faz parte.

“Esse robô funciona a partir da leitura de sensores, que orientam o acionamento dos motores para que ele siga um trajeto demarcado. Participar da equipe de robótica é muito importante porque nos permite aplicar, na prática, os fundamentos que aprendemos em sala de aula. Muitos dos conhecimentos adquiridos no curso podem ser utilizados diretamente nos projetos que desenvolvemos”, explicou.

Para Gustavo, compartilhar essa experiência com estudantes que ainda estão escolhendo uma profissão também representa uma forma de fortalecer a comunidade acadêmica. “É muito legal mostrar o que vivenciamos e despertar em outros jovens a curiosidade de conhecer esse universo.”

A estudante de Engenharia de Software Giovanna de Melo Gonçalves teve uma experiência semelhante no estande do Programa de Mentoria. E existe uma coincidência importante em sua trajetória: ela própria conheceu o UniSenai PR em uma feira de profissões.

“Eu também conheci o UniSenai por meio de uma feira de profissões, e foi nessa experiência que descobri que queria cursar Engenharia de Software. Desde então, tive muitas experiências positivas, especialmente com as Jornadas de Aprendizagem e o Programa de Mentoria, diferenciais que pude apresentar aos estudantes durante o evento”, contou.

Formação que começa na prática

A conexão entre conhecimento e aplicação prática é um dos pilares apresentados pelo UniSenai PR durante a feira. Em diferentes espaços do Campus da Indústria, os visitantes puderam observar equipamentos, projetos e processos que fazem parte da formação dos estudantes.

Para Ana Cristina Deschamps, coordenadora do curso de Engenharia Elétrica, essa aproximação com a prática começa desde os primeiros momentos da graduação.“Um dos nossos diferenciais é colocar a mão na massa. Desde o primeiro dia de aula, o aluno tem contato com tecnologia, com a indústria e com situações práticas que permitem aplicar aquilo que aprende em sala de aula. Temos aulas práticas, laboratórios, uma infraestrutura completa e profissionais capacitados, muitos deles com experiência e vivência no setor industrial”, explicou.

Ela destaca ainda a Jornada de Aprendizagem, presente na matriz curricular dos cursos, como uma forma de aproximar os estudantes dos desafios encontrados pelas empresas.

“Desde o início da graduação, o aluno é colocado em contato com desafios da indústria e trabalha competências importantes para o mundo do trabalho, como trabalho em equipe, gestão de projetos, gestão de pessoas, resolução de problemas e tomada de decisão”, afirmou.

A formação também é acompanhada por orientação profissional e oportunidades de aproximação com empresas, permitindo que o estudante comece a construir sua trajetória profissional ainda durante a graduação.
 

Indústria também participa da escolha

A presença de empresas foi outro elemento importante da feira. Para os visitantes, conversar diretamente com profissionais que atuam no mercado ajuda a compreender que uma profissão vai muito além do nome de um curso.

A Bosch, por exemplo, levou produtos fabricados em Curitiba e apresentou aos estudantes onde são utilizados, como são desenvolvidos e quais desafios fazem parte do cotidiano da indústria. Para Pedro Kenji, analista de Engenharia de Produtos da empresa, esse contato pode evitar escolhas feitas sem conhecer as possibilidades existentes.

“Esse primeiro contato com a indústria pode ajudar os estudantes a tomar decisões mais conscientes sobre o futuro. Eu mesmo passei por uma experiência parecida: inicialmente, escolhi a área de TI e, depois, descobri que queria seguir Engenharia. Na época, não tive a oportunidade de participar de uma feira como esta para conhecer melhor as possibilidades profissionais”, relatou.

A Fersa também participou da programação, aproximando os estudantes da realidade de uma empresa industrial e das oportunidades relacionadas à tecnologia, inovação e engenharia.“Está sendo muito interessante e enriquecedor participar da Feira de Profissões porque temos a oportunidade de estar próximos dos estudantes, apresentar nossa empresa e conhecer melhor as dúvidas e expectativas da nova geração em relação ao mercado de trabalho. Esse contato também nos permite identificar futuros talentos que poderão fazer parte da nossa equipe”, explicou Rhayssa da Silva Souza dos Anjos, administradora de RH da Fersa.
 

Experiência que continua depois da graduação

A participação de profissionais que já passaram pelo UniSenai PR também mostrou aos estudantes que a formação pode ser o início de uma trajetória que continua dentro da indústria.

Ex-aluno de Fabricação Mecânica, Alexandre Araújo, hoje consultor técnico na Ferramentas Troy, voltou à instituição para compartilhar sua experiência e apresentar aos visitantes diferentes possibilidades na área de fabricação de ferramentas.

“Um evento como esse é muito importante porque permite ao aluno conhecer um mundo que, muitas vezes, ele ainda não consegue visualizar dentro da sala de aula. Aqui, ele tem contato com diferentes processos e tecnologias, como impressão 3D, hidráulica, ferramentas, robótica, moda e várias outras áreas. É uma oportunidade de ampliar a visão e perceber quantos caminhos diferentes existem para construir uma carreira”, afirmou.

Entre os projetos apresentados por Alexandre estava um Trike desenvolvido por sua turma como projeto de conclusão de curso. O desafio envolveu transformar um motor recebido pelos estudantes em um veículo completo, passando por etapas como soldagem, dobra, pintura e montagem.

“Nas últimas semanas do curso, conseguimos colocar o Trike para rodar e fizemos a primeira volta pelo estacionamento da faculdade. Foi um projeto que uniu na prática tudo aquilo que aprendemos durante a formação e que, até hoje, continua firme e forte”, contou.

Tecnologia desperta curiosidade

A procura dos estudantes durante os dois dias também revelou um forte interesse pelas áreas ligadas à transformação tecnológica da indústria.
Renato Dorighello, professor e coordenador do UniSenai PR, acompanhou de perto as perguntas dos visitantes e percebeu que temas como inteligência artificial, automação e desenvolvimento de sistemas estiveram entre os que mais despertaram curiosidade.

“Os alunos estão muito interessados, principalmente, nas áreas de tecnologia, como automação, inteligência artificial, desenvolvimento de software e desenvolvimento de sistemas. Eles têm feito perguntas muito bem direcionadas, buscando entender como essas tecnologias se conectam, de que forma podem ser aplicadas na indústria e, principalmente, o que o mercado espera desses profissionais”, observou.

Para ele, a experiência da feira pode ser justamente o primeiro passo para que cada estudante encontre uma área com a qual se identifique.
“A nossa expectativa é que esse contato ajude cada um deles a identificar seu caminho profissional e que, no próximo ano, possamos receber novos alunos, formar novas turmas e também apresentar novos cursos alinhados às demandas da indústria.”

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