Transformar desafios reais da indústria em oportunidades de aprendizagem é uma das premissas da Jornada de Aprendizagem do UniSenai PR. Foi justamente essa experiência que permitiu aos estudantes de Engenharia de Produção Silvana Fontana, Yuri Cornachini, Vitor Pereira de Souza Araujo e Carlos Thiago Lopes de Oliveira desenvolverem uma solução inovadora para a Rafitec, empresa especializada na fabricação de fitas e tecidos técnicos.

O projeto, denominado Otimização de Setup em Urdideiras, conquistou o   lugar na categoria Grande Indústria ao propor melhorias em um processo que demandava mais de 10 horas para preparar as máquinas antes do início da produção.

O desafio apresentado pela empresa consistia em analisar alternativas para reduzir o tempo necessário na troca de bobinas das urdideiras, equipamentos fundamentais para a preparação dos fios utilizados na fabricação dos produtos da Rafitec. A partir desse cenário, os estudantes iniciaram uma imersão na realidade industrial por meio da metodologia "Mão na Massa", que integra teoria e prática ao longo de todas as etapas do projeto.

Segundo a estudante Silvana Fontana, a experiência começou com a apresentação do desafio pela própria empresa e evoluiu para uma investigação aprofundada do processo produtivo.“Inicialmente, a empresa foi até o Unisenai para apresentar sua realidade, o desafio enfrentado e o contexto do processo produtivo. Em seguida, tivemos a oportunidade de conhecer a indústria, compreender melhor o problema e identificar oportunidades de melhoria. Depois realizamos pesquisas, discutimos ideias em equipe e contamos com a orientação do professor para desenvolver uma solução utilizando ferramentas e metodologias aprendidas em sala de aula”, explica.

Alternativas customizadas

Após visitas técnicas, estudos e análises, os estudantes identificaram que não existiam no mercado nacional soluções prontas capazes de atender às necessidades específicas da operação. Diante disso, a equipe buscou alternativas customizadas e desenvolveu uma proposta baseada em um manipulador para troca de bobinas de fios plásticos, capaz de substituir cinco bobinas por ciclo.

A solução projetada tem potencial para reduzir o tempo de setup de mais de 10 horas para aproximadamente duas horas, gerando ganhos significativos de produtividade para a empresa.

Além disso, o grupo também pesquisou tecnologias internacionais voltadas à automação da união dos fios, etapa atualmente realizada de forma manual. Embora ainda não exista uma solução amplamente consolidada no mercado brasileiro para essa atividade, a proposta foi apresentada à Rafitec como uma oportunidade de evolução futura do processo.

Para o estudante Vitor Pereira de Souza Araujo, um dos maiores desafios foi encontrar uma alternativa capaz de entregar resultados expressivos sem exigir grandes mudanças na estrutura já existente.
“Durante o desenvolvimento, o principal desafio foi criar uma solução que reduzisse significativamente o tempo de setup sem exigir grandes mudanças na estrutura existente da máquina e com custo que se mantivesse dentro do orçamento. Tivemos que pensar em um sistema de troca de bobinas que fosse rápido, seguro e viável economicamente”, destaca.

Segundo ele, a equipe avaliou diferentes possibilidades até chegar a uma proposta que equilibrasse produtividade, ergonomia e viabilidade financeira.“Optamos pela substituição das travas manuais por pinos retráteis e pelo uso de quatro robôs manipuladores, aproveitando também os paletes já utilizados pela empresa. A equipe discutiu diferentes alternativas, analisou a viabilidade técnica de cada uma e realizou ajustes na proposta até chegar a uma solução que equilibrasse produtividade, ergonomia e custo de implantação”, afirma.

Diferentes conhecimentos aplicados

O projeto também evidenciou a importância da formação multidisciplinar oferecida pelo curso. Ao longo do desenvolvimento, os estudantes aplicaram conhecimentos de automação industrial, robótica, ergonomia, gestão de processos, gestão de projetos e análise de viabilidade econômica para construir uma solução alinhada às necessidades da empresa.

Além do ganho de produtividade, a proposta traz benefícios relacionados à ergonomia dos operadores, reduzindo o esforço físico exigido durante a troca das bobinas. Outro diferencial apontado pelo grupo é o potencial enquadramento do projeto nos incentivos da Lei do Bem, tornando o investimento ainda mais atrativo para a empresa. Pelas estimativas realizadas, o retorno financeiro poderia ocorrer em menos de um ano.

Para o professor Gabriel Krebs, que acompanhou o desenvolvimento do trabalho, o principal aprendizado foi a capacidade dos estudantes de compreender que inovação não está necessariamente associada à automação total dos processos.“A Jornada de Aprendizagem aproximou os estudantes da realidade da indústria, estimulando a análise crítica, a tomada de decisão e a busca por soluções tecnicamente viáveis. Embora a proposta inicial fosse automatizar o setup das urdideiras, os alunos identificaram que essa alternativa não era a mais adequada devido às limitações do processo e do layout”, explica.

O docente destaca que a maturidade demonstrada pela equipe foi determinante para o sucesso da iniciativa. “Demonstrando maturidade e visão de engenharia, redirecionaram o projeto para uma solução que melhorou a ergonomia, mantendo o foco na resolução do problema real. Esse é o principal diferencial do projeto: compreender que inovação não é apenas automatizar, mas desenvolver soluções viáveis, aplicáveis e que gerem valor para a operação, com potencial de replicação em outros processos industriais”, conclui.

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